Estrela bizarra espanta astrónomos | 20Fev2012 19:14:17

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Dilúvio

Astrónomos detetaram uma estrela que não devia existir. A teoria atual não consegue explicar a composição de uma estrela da constelação de Leão. Além disso, esta “estrela esquisita” provavelmente não é única. O que explica, exatamente, a teoria moderna de formação estelar?

 



O Science Daily relatou as reações dos astrónomos a esta estrela, chamada SDSS J102915+172927, encontrada com o Very Large Telescope (VLT) no Chile. Chamaram à estrela “primitiva” porque tem uma abundância de metais muito baixa – ou seja (para os astrónomos), todos os elementos mais pesados do que o hidrogénio, o hélio e o lítio (os elementos iniciais considerados como tendo-se formado após o Big Bang). A forte linha espectral do cálcio foi detetada, mas tiveram de olhar durante muito tempo para encontrar outras. O Space.com publicou um vídeo com música igualmente esquisita, mostrando a localização da estrela em Leão, com o título “Estrela que nunca devia ter existido, existe.” No New Scientist, Lisa Grossman tentou descrever a surpresa de encontrar esta estrela:

Imagine que é um arqueólogo. Encontra aquilo que parece ser o esqueleto de um proto-humano. Uma mão parece estar a agarrar um objeto – poderá ser uma pista sobre a forma como esses seres iniciais viviam? Raspa a lama e descobre que o objeto parece um telemóvel.

A sua sensação de choque é semelhante ao que Lorenzo Monaco, do Observatório Europeu do Sul, no Chile, e os seus colegas devem ter sentido quando examinaram a composição elemental de uma estrela excêntrica, que dá pelo nome prosaico de SDSS J102915+172927.

Há duas dificuldades principais em torno desta estrela. Elisabeth Caffau (Universidade de Heidelberg, Universidade de Paris) explicou a primeira: “Uma teoria muito aceite prevê que estrelas como esta, com uma pequena massa e quantidades de metais extremamente baixas, não deveriam existir uma vez que as nuvens de material a partir das quais se formariam nunca se poderiam ter condensado.” O New Scientist afirmou que esta estrela tem 4,5 milionésimos dos elementos pesados que se encontram no nosso sol.

A outra dificuldade é a baixa abundância de lítio. “Uma estrela tão velha devia ter uma composição semelhante à do Universo pouco depois do Big Bang, com apenas mais alguns metais”, afirmou o Science Daily. “Mas a equipa descobriu que a proporção de lítio da estrela é pelo menos cinquenta vezes menor que a esperada na matéria produzida pelo Big Bang.” O que lhe aconteceu? Talvez a estrela o tenha comido. Outro astrónomo sugeriu algo semelhante: “É um mistério como é que o lítio produzido logo após o início do Universo foi destruído nesta estrela.”

Isto é uma machadada na teoria da sopa primordial de estrelas, sugeriu o artigo do New Scientist. “Pensa-se que as primeiras estrelas se condensaram a partir da sopa quente deixada pelo Big Bang e continham apenas hidrogénio, hélio e vestígios de lítio”, escreveu Grossman. “Eram gigantes dezenas de vezes mais maciços do que o sol e rapidamente explodiram como supernovas.” Acrescentou na brincadeira: “Até agora, o universo parecia concordar.” Esta “estrela impossível” é mais pequena do que o nosso sol e, se é primordial do Big Bang, “não se podia formar a partir da mesma matéria primordial como esses gigantes iniciais” porque as nuvens gasosas “estariam demasiado quentes para se comprimirem em agregados separados.” Seria necessário que várias gerações de estrelas passassem a supernovas para gerar carbono e oxigénio em quantidade suficiente para agirem como agentes de arrefecimento que permitiriam a condensação em estrelas mais pequenas. “De acordo com a teoria, esta estrela não devia ter sido capaz de se formar”, comentou Grossman. “Mas formou-se.”

Se esta fosse a única estrela assim, talvez pudessem considerá-la esquisita. “Os investigadores referem também que esta estrela esquisita provavelmente não é única”, termina o artigo do Science Daily. Não foi dada qualquer explicação, não foi proposta qualquer teoria revista; só mais uma viagem através do espelho: segundo Elisabeth Caffau, “Identificámos várias outras estrelas candidatas que podem ter níveis de metais semelhantes, ou até inferiores, aos da SDSS J102915+172927. Planeamos agora observá-las com o VLT para verificarmos se é realmente este o caso.”

As teorias são divertidas até surgirem factos que as baralham. Agora é ver os dispositivos de socorro da teoria a entrar em ação. Um astrónomo do artigo do New Scientist afirmou que talvez esta estrela seja um pedaço de uma estrela gigante primordial. Talvez a estrela gigante tivesse um disco de material a girar como um carrossel descontrolado e esta estrela seja como uma das crianças que se soltam e são atiradas para a relva. Tal como dissemos, as teorias são divertidas até surgirem factos que as baralham. Os astrónomos têm de se divertir, não obstante os factos. Quando os dispositivos de socorro se tornam tão numerosos que sufocam a teoria original, anulam a sua finalidade, mesmo que os socorristas se estejam a divertir imenso.

Recordemos que a observação científica é muito diferente da explicação científica. Depois de nos rirmos da estrela primitiva com um telemóvel, lembramo-nos de uma citação divertida do astrónomo Geoffrey Burbidge em 1965: “Se as estrelas não existissem, seria fácil provar que era isso que nós esperávamos.” Vá olhar para as estrelas (imagem). Acha que está melhor com as explicações dos astrónomos do que estava há 46 anos?

1 de Setembro de 2011

http://crev.info/content/110901-freakish_star_stuns_astronomers






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